O peso invisível do pós‑parto: quando o amor também dói

O nascimento de um filho costuma ser cercado de expectativas

Alegria, plenitude, realização. Mas muitas mulheres descobrem que, junto com o amor pelo bebê, surgem noites insones, medo de falhar, culpa e até uma sensação de vazio. Esse contraste cria um peso invisível: de fora, todos celebram; por dentro, algo sussurra que “não deveria ser assim”.

A ciência mostra que após o parto há uma queda brusca de estrogênio e progesterona, hormônios que modulam o humor e a estabilidade emocional. Somado à privação de sono, o cérebro fica mais vulnerável à ansiedade, à tristeza e à sensação de perda de controle. Não é fraqueza, é biologia — mas a forma como cada mulher atravessa isso também carrega marcas da sua história, da sua infância e das expectativas sociais sobre ser mãe.

É nesse ponto que a psicanálise se torna fundamental

Não para apagar sintomas, mas para escutar o que eles dizem. Muitas vezes, a culpa que aparece no pós‑parto não nasceu ali, mas é eco de antigas cobranças internas ou externas. Ao falar, a mulher começa a costurar o novo papel de mãe com sua subjetividade, em vez de se perder nele.

Uma boa forma de iniciar esse processo é escrever, nas madrugadas silenciosas, pequenas anotações: o que sente, o que teme, quais imagens surgem. Esse simples gesto organiza a mente e abre espaço para elaborar conteúdos inconscientes.

Se você se reconhece nesse “peso invisível”, saiba que não precisa atravessar sozinha. A análise pode ser o lugar onde o amor e a dor do pós‑parto se encontram e se transformam em algo possível de viver, sem silenciar a mulher que você continua sendo.