A mulher que carrega o mundo: quando a exaustão é um sintoma da alma

Há mulheres que vivem cansadas não de corpo, mas de alma.
Cansadas de serem fortes, disponíveis, produtivas, compreensivas, mães, profissionais, esposas, filhas, amigas… e ainda assim sentirem que não é suficiente.

Na clínica, escuto esse cansaço chegar disfarçado de ansiedade, irritação, insônia, ou simplesmente de uma vontade de “sumir por um tempo”.
Mas o que há por trás desse esgotamento não é preguiça é um sintoma de excesso de exigência e falta de escuta interna.

Quando o dever ocupa o lugar do desejo

Muitas mulheres foram ensinadas a viver para o outro.
A função de cuidar se tornou um valor tão internalizado que, quando o desejo pessoal tenta emergir, ele é imediatamente sufocado pela culpa.
É como se o prazer de existir por si mesma fosse um erro.

O que a exaustão quer dizer

A exaustão feminina é, muitas vezes, a forma inconsciente de pedir autorização para parar.
Mas parar é difícil porque, no imaginário, parar é falhar.

Como a terapia ajuda

A psicanálise não traz respostas prontas, mas oferece um espaço onde o excesso pode ser dito sem julgamento.
É nesse dizer que algo começa a se transformar: o que antes era obrigação, começa a ganhar contorno de escolha.

E quando o desejo encontra espaço para existir, o corpo deixa de gritar.